Apesar de entusiasmo crescente com IA, apenas 42% dos CIOs brasileiros confiam plenamente na capacidade de escalar iniciativas

Estudo da Logicalis revela que 96% das empresas brasileiras ampliaram o apetite por IA, porém 39% reconhecem que as iniciativas ainda não estão totalmente alinhadas ao negócio

A Inteligência Artificial consolida sua presença nas estratégias corporativas, mas o entusiasmo e a maturidade ainda caminham em ritmos diferentes. Segundo dados do CIO Report 2026, estudo promovido pela Logicalis, empresa global de soluções e serviços de tecnologia da informação e comunicação, em parceria com a Vanson Bourne, 96% das empresas brasileiras aumentaram o apetite por IA no último ano.

Atualmente, 60% das empresas afirmam que a IA está alinhada ao negócio. Enquanto isso, 39% reconhecem que ainda não estão totalmente alinhadas. O cenário revela avanço estratégico, porém com lacunas relevantes de integração entre tecnologia e objetivos corporativos.

Adoção acelerada e percepção de risco

A adoção acelerada da IA preocupa os líderes de TI, com 78% afirmando que a implementação está rápida demais. “A Inteligência Artificial deixou de ser um experimento de laboratório e passou a ser uma decisão de negócio. Os dados mostram que o entusiasmo é quase unânime, mas a verdadeira vantagem competitiva estará nas organizações que conseguirem alinhar estratégia, governança e capacidade de escala. Para adotar IA é preciso integrá-la ao core do negócio com responsabilidade e foco claro em valor”, afirma Marcio Caputo, CEO da Logicalis para a América Latina.

Em relação ao planejamento, 60% dos líderes brasileiros estão extremamente confiantes em seus roadmaps de IA para os próximos 2 a 3 anos. Contudo, apenas 42% se dizem totalmente confiantes na capacidade de escalar as iniciativas, evidenciando um descompasso entre estratégia e execução.

Inovação lidera, mas ROI e cliente ganham força

Quando questionadas sobre os principais motores da IA, as empresas brasileiras apontam:

·       60%: inovação

·       51%: retorno sobre investimento (ROI)

·       44%: provas de conceito

·       32% demanda das áreas de negócios

·       29%: pressão competitiva

·       29%: expectativa do cliente

Os dados indicam que, embora a inovação permaneça como vetor central, a demanda das áreas, retorno financeiro e demandas de mercado exercem papel decisivo na consolidação das estratégias de Inteligência Artificial.

“Isso indica uma mudança de paradigma, da tecnologia orientada à eficiência interna para a IA como ferramenta de geração de valor percebido. Se antes a IA era movida apenas pelo impulso da inovação, agora ela é pressionada por resultado. Quando ROI e expectativa do cliente entram na equação, a conversa deixa de ser sobre tecnologia e passa a ser sobre competitividade, sustentabilidade e geração real de valor para o negócio”, ressalta Caputo.