Nídia Aranha amplia o universo artístico de Equilibrivm ao dirigir o novo curta-metragem de Anitta

Artista assina a direção criativa e musical do projeto e conduz a expansão da narrativa iniciada no primeiro álbum visual, agora desdobrada em um curta-metragem e na concepção estética da nova turnê da cantora

Foto: Divulgação

Na última quinta-feira, Anitta lançou no canal Multishow e na plataforma Globoplay seu novo álbum visual, Equilibrivm II. O projeto dá continuidade à parceria entre a cantora e a artista Nídia Aranha, iniciada no show do festival Global Citizen em 2025, em Belém do Pará, e adensada no desenvolvimento da primeira parte de Equilibrivm. A duologia, que conta com a direção criativa e a inédita direção musical de Nídia Aranha, pulsa a partir de um relato confessional sobre a experiência de Anitta com a sua fé, firmada no culto aos Orixás, e também de uma jornada confessional de sua trajetória como artista . 

O projeto é firmado no que há de comum entre a festa e a fé nos diferentes Brasis que compõem o território nacional.” O projeto elenca  uma curadoria de artistas brasileiros expoentes que enriquecem os visuais e sonoras construídas em torno de uma dramaturgia visual capaz de narrar práticas ritualistas em reflexões metafóricas acerca das vivências da Anitta, que de certo,  atravessam muitos nós. Invocamos, com muito respeito e fundamento, a cultura, a tradição e o encantamento brasileiro. Cada signo presente ali carrega uma metáfora viva, uma memória ancestral, uma camada de leitura”, conta a artista.

O vídeo da segunda parte, filmado em apenas quatro dias, tem direção da própria Nídia ao lado de seus parceiros de longa data Nico Mascarenhas e Felipe Sassi, com quem ela divide uma jornada que vem estabelecendo um novo imaginário visual para a música popular brasileira contemporânea. “Uma das coisas mais bonitas do meu ofício é perceber que, através da colaboração, uma visão pode deixar de pertencer a um indivíduo e passar a fazer parte de um imaginário de mundo”, afirma. O filme é composto por 13 videoclipes e 6 bardos que reverenciam a magia e o mistério dos orixás e entidades falangeiras, tal como se apresentam nas diferentes tradições que se somam a tradição de fé  brasileira: do sincretismo cristão aos povos originários, dos encantados às religiões de matriz africana.

Foto: Divulgação

Nídia surpreende com o trabalho de direção musical. Sua carreira é marcada pela experimentação em diferentes mídias, técnicas e linguagens, e seu toque musical não deixa de trazer sua assinatura e seu olhar antropológico. “A música sempre foi um vetor cultural muito rico, e eu sempre estive ali no escanteio, construindo para ela, criando para ela, mas não diretamente com ela. Este projeto expandiu meu lugar de atuação para além da imagem, e o álbum foi se organizando quase como uma gira, onde cada faixa ativa uma energia, uma travessia, uma camada diferente dessa jornada. Tem sido uma honra pensar que essas músicas vão ecoar para sempre em nós e no público, e que de alguma forma eu faço parte disso.” diz Nídia. 

Com participações de Maria Bethânia, do grupo Ofá, de Alceu Valença e de outros artistas canônicos, o álbum reverbera a riqueza da música brasileira e abre caminho para uma sonoridade emergente e instantaneamente clássica, movimento que é genético na carreira de Anitta, cantora que se projetou com o funk e ajudou a esculpir o espaço que lhe é justo dentro da cultura global. Esse gesto de resgate chega agora a novos níveis de exercício dramático e mitopoético. Nídia divide seus primeiros créditos de composição nas músicas contemplação, Deus mãe, Ogum me Rodeia e Oke, que conta com a participação da rapper indígena Katu Mirim.