Ana Lúcia Torre reestreia Olhos nos Olhos em São Paulo

Espetáculo celebra 80 anos de vida e 60 anos de carreira desta que é uma das maiores atrizes brasileiras, mesclando histórias de sua trajetória com a obra de Chico Buarque de Holanda. Peça tem dramaturgia de Sergio Módena e realização da Morente Forte Produções Teatrais, que também celebra 40 anos de atuação contínua na cena teatral brasileira.

Foto: Priscila Prade

A partir da sexta-feira, 5 de junho, às 21h, no Tucarena (rua Bartira esquina com rua Monte Alegre, Perdizes, São Paulo), Ana Lúcia Torre, volta a apresentar em São Paulo o espetáculo Olhos nos Olhos. Com dramaturgia e direção de Sergio Módena, a peça celebra os 80 anos de vida e 60 anos de carreira desta que é uma das maiores atrizes brasileiras, mesclando histórias de sua trajetória pessoal e profissional com a obra de Chico Buarque de Holanda, em uma realização da Morente Forte, que também celebra 40 anos de intensa atuação na cena teatral brasileira. Os ingressos já estão disponíveis pela Sympla.

Desde sua estreia, Olhos nos Olhos vem consolidando uma trajetória de grande repercussão junto ao público e crítica. O espetáculo iniciou sua temporada em São Paulo, no Teatro Santos Augusta, com sessões marcadas por casa cheia, e seguiu para uma bem-sucedida reestreia no BTG Pactual Hall, inaugurando a nova sala do complexo – instalado no histórico prédio do antigo Teatro Alfa. Na sequência, a montagem circulou por diversas cidades brasileiras, passando por capitais e várias cidades paulistas, ampliando seu alcance e diálogo com o público. Em 2025, Ana Lúcia Torre foi indicada ao Prêmio APCA na categoria de Melhor Atriz pelo trabalho no espetáculo, reafirmando a força de sua interpretação e a relevância da obra no cenário teatral contemporâneo.

A narrativa de Olhos nos Olhos traz algumas das mais marcantes letras compostas por Chico. No entanto, as músicas aqui não são cantadas, e sim faladas, como um texto dramático, revelando novas camadas de interpretação de sua obra e uma sensação de redescoberta de pérolas de um dos mais importantes compositores de todos os tempos. “Sempre me fascinou o Contador de História. Ouvir é um ato de aprendizagem, uma inquietação do espírito, uma escuta que traz curiosidade. E assim, de repente, me vejo na posição de Contadora de História. Da minha história. Resolvi abrir minhas portas e esperar que o público visite a minha casa. Tudo acompanhado de poemas de Chico Buarque”, convida Ana Lúcia.

Ana Lúcia e Chico são artistas da mesma geração (ele completou 81 anos em junho), viveram e testemunharam as mesmas transformações políticas, sociais e comportamentais acontecidas no Brasil e que repercutem até os dias de hoje. Suas trajetórias profissionais já se cruzaram algumas vezes. O primeiro musical de que Chico participou, Morte e Vida Severina, tinha Ana Lúcia no elenco. Anos mais tarde, ele compôs a canção Suburbano Coração para o espetáculo de mesmo nome, onde ela também estava em cena. Assim, a obra do compositor se ajusta perfeitamente às memórias e reflexões da atriz.

Neste espetáculo vibrante e revelador, que também conta com a participação do pianista Diógenes Junior, letras de canções icônicas de Chico conduzem Ana Lúcia na interpretação de temas variados como amor (Olhos nos OlhosAtrás da PortaTatuagem), política (CáliceApesar de Você) e sociedade (CotidianoGeni e o ZepelimMeu Guri), entre outros, com os grandes sucessos do compositor sendo apresentados de uma forma totalmente inédita.

Olhos nos Olhos é um espetáculo que estabelece uma ligação íntima entre a atriz e o público. “Pra mim o espetáculo é como uma conversa olho no olho com Ana Lúcia Torre, como se estivéssemos na sala de sua casa ouvindo suas histórias de vida. Ela fala sobre amor, separação, resistência, esperança, maternidade, a paixão pela arte e outros tópicos. É o retrato de uma grande atriz, mas também, em certa medida, do nosso país. E tudo entremeado com as letras de Chico Buarque, nesse exercício de abdicar de suas melodias para descobrir uma nova maneira de apresentá-las ao público”, observa o diretor Sergio Módena.

“Selma Morente e eu estamos em êxtase! Não apenas por celebrarmos 40 anos de trabalho diário pelo fazer teatral, nossa grande paixão, mas por fazermos isto com esta produção de altíssima qualidade humana, artística e técnica. Novamente a parceria com Sergio Módena, na direção e dramaturgia inspirada nas letras do poeta maior Chico Buarque. E sobretudo, sorver, absorver toda a maestria da amiga Ana Lúcia Torre, assim, olhos nos olhos”,  pontua Célia Forte, sócia da Morente Forte.