O Novo Luxo no Prato: Consciência, Afeto e o Fenômeno Sweet Heat

Por Chef Loh Fernandes, Colunista de Gastronomia

  Se eu pudesse definir 2026 em uma palavra gastronômica, seria: intenção. As pessoas não querem mais exagero. Querem qualidade, saber o que estão comendo, sentir prazer sem culpa. E isso muda completamente a forma como pensamos cardápios, porções e ingredientes.
  Hoje, vejo um movimento muito bonito na área gastronômica: o de unir sabor marcante com equilíbrio nutricional. O de valorizar o artesanal, de cozinhar com propósito. E, para mim, essa é a tendência mais importante de todas para 2026. Porque no fim, mais do que seguir sabores, nós estamos aprendendo a nos reconectar com a comida. E quando há consciência na escolha, há respeito no preparo, e sendo assim o sabor fala por si.
  O ano de 2026 será dominado por alguns sabores, como por exemplo o chamado sweet heat — a mistura do doce com o picante — aparece cada vez mais em molhos, carnes e até sobremesas. É sobre contraste, entender que o sabor não precisa ser extremo para ser marcante. Um mel levemente apimentado sobre um queijo bem curado, uma geleia artesanal com pimenta suave acompanhando uma carne de preparo lento. É intensidade com intenção. E intenção é tudo na cozinha.
  Outra tendência forte é a releitura de sabores que abraçam. Receitas que lembram infância, pratos que remetem à mesa da família, comida que tem história. Mas agora com técnica, apresentação e equilíbrio. E essa é a tendência que mais defendo como personal chef.
  No fim, as tendências mudam, os sabores se reinventam, mas uma coisa permanece: a comida continua sendo uma forma de cuidado. Seja em um prato elaborado ou em uma receita que carrega memória afetiva, cozinhar com intenção transforma tudo. E talvez essa seja a maior tendência de 2026: redescobrir que a verdadeira sofisticação está na comida feita com respeito, consciência e alma.



Dica da Loh – Nhoque artesanal dourado com mel picante


Um clássico com contraste sweet heat

O nhoque é um daqueles pratos que carregam muita memória afetiva. Presente em muitas mesas de família, ele representa exatamente aquilo que a gastronomia contemporânea tem resgatado: comida preparada com cuidado e intenção. Nesta versão, o contraste entre o doce do mel e o picante da pimenta cria o chamado sweet heat, uma das tendências gastronômicas que prometem marcar 2026.

RECEITA

Ingredientes – Nhoque artesanal

  • 500 g de batata asterix
  • 1 gema
  • 3/4 de xícara de farinha de trigo (aproximadamente)
  • sal a gosto
  • noz-moscada ralada na hora

Modo de preparo

  1. Asse as batatas com casca no forno a 180º por aproximadamente 1h30. Dica de de chef: Faça uma cama de sal grosso na assadeira, para secar ainda mais as batatas. 
  2. Espere a batata esfriar totalmente em temperatura ambiente. Deixar na geladeira por cerca de 1 a 2 horas é recomendado para firmar o amido. Retire, descasque e passe pelo espremedor.
  3. Misture as batatas amassadas com a gema, o sal e uma pitada de noz-moscada.
  4. Acrescente a farinha aos poucos, apenas até formar uma massa macia que não grude nas mãos.
  5. Faça rolinhos, corte os nhoques e cozinhe em água fervente com sal até que subam à superfície.
  6. Retire e reserve.

Para finalizar (Sweet Heat)

  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de mel
  • pimentas bode em conserva (a gosto)
  • parmesão ralado na hora
  • folhas de manjericão

Finalização
Em uma frigideira, derreta a manteiga e doure levemente os nhoques já cozidos até ficarem dourados. Regue com o mel, adicione algumas pimentas bode picadas e finalize com parmesão e manjericão fresco.

Dica extra (a gosto):
Para equilibrar os sabores, eu gosto de finalizar com uma colher de chá de limão siciliano, que acrescenta frescor e realça o contraste do sweet heat. Mas isso deve ser feito já com o fogo desligado e antes de finalizar com o parmesão.