A Ascensão de Bad Bunny no Brasil
Por: Redação Capital Editorial
Durante anos, o Brasil foi considerado a “ilha linguística” da América Latina. Enquanto o reggaeton e o trap latino dominavam as paradas de Buenos Aires a Cidade do México, o público brasileiro permanecia fiel ao sertanejo e ao funk. Mas o jogo mudou. No último final de semana, dias 20 e 21 de fevereiro de 2026, o Allianz Parque, em São Paulo, não foi apenas um palco; foi a prova definitiva de que a barreira do idioma finalmente ruiu sob o peso do “Conejo Malo”.
O Início: O “Lento” Despertar (2018–2022)
A relação do Brasil com Bad Bunny começou de forma tímida, quase de nicho. Entre 2018 e 2019, o nome de Benito aparecia em colaborações pontuais que tocavam nas academias e baladas de elite, como Mia (com Drake) ou I Like It(com Cardi B).
A verdadeira semente, porém, foi plantada em 2022 com o álbum “Un Verano Sin Ti”. Embora o sertanejo ainda ocupasse o topo do Spotify Brasil, faixas como Tití Me Preguntó e Me Porto Bonito começaram a furar a bolha, tornando-se trilhas sonoras onipresentes em redes sociais como o TikTok. O brasileiro passou a consumir a estética de Bad Bunny antes mesmo de decorar suas letras.
O Ano da Ruptura: 2025 e o Efeito “DtMF”
O ano de 2025 foi o divisor de águas. Com o lançamento do aclamado “DeBÍ TiRAR MáS FOtoS”, Bad Bunny não apenas manteve seu posto de artista mais ouvido do mundo, como finalmente “entrou” no Brasil pela porta da frente.
Pela primeira vez, o artista emplacou múltiplas faixas no Top 100 nacional. O fenômeno foi impulsionado por um crescimento orgânico no streaming, onde o público jovem brasileiro passou a ver no trap porto-riquenho uma energia similar à do funk paulista e carioca: uma música de celebração, resistência e identidade.
A Explosão Pré-Show: Super Bowl e Grammy
Se restavam dúvidas sobre a magnitude do artista, as semanas que antecederam os shows no Brasil as dissiparam. Após uma vitória histórica no Grammy e uma apresentação arrebatadora no intervalo do Super Bowl no início de fevereiro, o interesse por Bad Bunny no Brasil saltou 426% nas plataformas de busca e streaming. O país estava, enfim, pronto para o culto ao coelho.
20 e 21 de Fevereiro: O Allianz Parque em Transe
A concretização desse fenômeno aconteceu nestas duas noites inesquecíveis no Allianz Parque. Com ingressos esgotados em tempo recorde, a turnê “Debí Tirar Más Fotos World Tour” entregou uma infraestrutura que o Brasil raramente vê em shows de artistas latinos não-brasileiros.
- Sexta-feira (20): O impacto inicial. Um Allianz lotado entoando Monaco a plenos pulmões mostrou que o público não sabia apenas os refrões, mas cada verso rápido de Benito.
- Sábado (21): O encerramento emocionante. Além do setlist recheado de hits como Safaera e Dakiti, a noite foi marcada por uma homenagem tocante à lenda da salsa Willie Colón, falecido recentemente. Benito interrompeu o show para reverenciar a história da música latina, conectando o passado ao presente e unindo o estádio em um momento de silêncio e respeito.
O Legado
O que vimos no Allianz Parque foi mais do que dois shows de estádio; foi a assinatura de um tratado de paz musical. Bad Bunny provou que o Brasil faz parte, sim, do ecossistema pop global em espanhol.
Para a Capital Editorial, fica a reflexão: Benito não precisou de um “feat” com um artista brasileiro para lotar estádios por aqui. Ele veio como o maior do mundo, e o Brasil, finalmente, aprendeu a falar a língua dele.